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sábado, 22 de maio de 2010

FUTEBOL "MULEKE" É NA VÁRZEA -- TALENTO NÃO É TUDO

As relações de trabalho mudaram profundamente nas últimas décadas. De um lado, os trabalhadores aprenderam a reivindicar melhores condições de trabalho; na outra ponta, o empresário passou a exigir dos trabalhadores mais do que a função exposta na carteira profissional: ele quer comprometimento. Também por conta disto, a meritocracia vem ganhando espaço generoso na preferência dos gestores mais modernos.

Nessa linha, o Dunga prestou um grande serviço ao mundo corporativo, quando revelou a escalação da Seleção Brasileira, semana passada. Ao deixar de fora o Imperador Adriano e Ronaldinho Gaúcho ele bancou a máxima de que ninguém é insubstituível e ganha quem se empenha, quem faz a diferença, apesar do talento.

Muitas empresas já introduziram no cardápio de programas de RH a distribuição de lucros, cuja prática consiste em dividir entre os empregados uma parcela dos lucros da empresa em forma de salários adicionais. E para se chegar a essa conta, o desempenho das funções para a qual foi contratado é apenas mais um item no rol de exigências. Conduta, relacionamento interpessoal, assiduidade e pontualidade são considerados, assim como a produtividade e desempenho.

No caso dos jogadores, mais justo ainda, quando se leva em conta os valores envolvidos nos contratos dos craques. Portanto, se os garotos dão o sangue para chegar ao futebol profissional, que se comportem como tal quando lá estão. Afinal, não é segredo a farra-do-boi que rolou solta na Copa de 2006 com a Seleção Canarinho, e deu no que deu, apesar do time de ouro que o País levou à competição. Não foi apenas o time que perdeu; perdemos a Copa; todos nós perdemos.

A MODA PEGOU

Dorival Junior, do Santos, puniu com a não escalação os jogadores que se apresesentaram com atraso, ontem, na Concentração. Incluindo a jovem estrela Neymar. A medida foi aprovada até pelo pai do garoto. Ora, lugar de futebol "muleke" é na várzea.

Igual no mundo corporativo. Quer ter uma performance medíocre? Vai ter um empreguinho medíocre. Quer crescer? Ganhar mais e melhor? Ajuste-se às regras e se empenhe, se esforce, supere os obstáculos e faça a diferença.Pode até demorar um pouquinho. Mas o resultado é inevitável.

Um comentário:

SÉRGIO DIAS disse...

Minha querida, concordo em gênero, número e grau com o que escreveu. Porém, duas coisas ainda são usadas por grande parte do empresariado na hora de contratar. Ele quer alguém capacitado e comprometido, mas não quer pagar nada. E faz a pergunta xeque-mate: Qual sua pretensão salarial? Se o candidato responder abaixo do que está orçado para aquela vaga, é contratado na hora. Se disser um pouco a mais, está fora do processo. Empresário moderno é aquele que não tem medo disso, diz quanto tem para pagar, sem ficar usando o desempregado que está numa situação desvantajosa. A outra situação é dizer que vc tem um currículo "over quality" e que não pode te pagar o que merece e oferece um salário na "bacia das almas". Tenho passado por isso, infelizmente. Acho que deveríamos ter uns "dungas" no meio empresarial.