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segunda-feira, 30 de maio de 2011

USE PARCIMÔNIA. E UM BOM GESTOR DE CRISE

Durante uma crise, não se defende uma marca atirando a esmo. A melhor estratégia é observar o entorno, analisar os cenários e agir com a máxima transparência possível. Além disso, se o aspecto emocional do principal executivo ou porta-voz da empresa estiver comprometido, melhor que ele passe a bola para outro membro do staff.  

Das empresas que contrataram o ministro Palocci levantadas pela imprensa até agora, a W Torre é que mais está sofrendo os efeitos desta crise. A Amil e Santander foram rápidas, ofereceram respostas burocráticas por meio de suas assessorias de imprensa que, se não convenceram, pelo menos tiraram o holofote que estava sobre suas cabeças.

A WTorre demorou a reagir. Quando reagiu, o fez pelo meio menos recomendado nesses casos: um informe publicitário. Menos recomendável porque é unilateral: a empresa paga e coloca naquele espaço o conteúdo mais conveniente (para ela). A imprensa nunca enxerga isso com bons olhos. Por outro lado, imagina-se que esse expediente coloque um ponto final na questão, mas geralmente ele é álcool na fogueira. 

Em vez de repelir a demanda, o informe publicitário muitas vezes atrai mais curiosidade da imprensa, levada pela lógica do “se não tem nada a esconder, por que não fala conosco?”. Tanto é verdade que a empresa continuou no olho do furacão, vitimada por novas denúncias de favorecimento, enquanto Amil e Santander apareciam muito menos.

Já sob intensa pressão e provavelmente com o controle emocional comprometido, o empresário Walter Torre resolveu conceder entrevista ao O Estado de S.Paulo. O resultado foi um desastre. Naquele espaço ele cometeu TODOS os pecados capitais que os assessores recomendam que não sejam cometidos.

A impressão é que ele não foi preparado e não estava em condições emocionais para falar com a imprensa. A certa altura da entrevista, ele se diz “indignado” com a pergunta do repórter, que estava lá cumprindo seu dever. Aliás, indignada está a sociedade, que descobriu que elegeu e pagava  um deputado que  preferia os expedientes muito mais rentáveis na iniciativa privada.

Importante destacar que nesses casos os repórteres saem pautados para provocar mesmo, são treinados para isso, e não para defender a marca de suas fontes. É da provocação que nascem as respostas mais espontâneas. Há um treinamento específico para o empresário nesses casos, que, tudo indica, ele dispensou.

Caberia ao assessor de imprensa prepará-lo, mostrar como esse jogo é jogado e as possíveis “pegadinhas” a que ele estaria exposto. Ficou a impressão que ele foi jogado aos leões sem qualquer defesa, sem qualquer instrumento. Como se não bastasse tudo isso,  Walter Torre fecha a entrevista com chave de ouro, declarando que “aposto na porcaria desse país”. Nem é preciso dizer que, com essa frase magnífica, ele e sua marca bombaram no Twitter. O efeito residual dessa intervenção desastrosa ainda vai perdurar por muito tempo. Mirem-se nesse exemplo, empresário e executivos:

ü  Na crise, não entre no front de peito tão aberto. Prepare-se com sua assessoria de imprensa;

ü  Ouça sua assessoria. Ela sabe como agir nesses casos;

ü  Não entre em confronto com repórteres; eles irão provocá-lo;

ü  Tenha humildade para retroceder ou passar a bola, caso seu lado emocional esteja comprometido (a vítima é sempre a marca);

ü  Prepare-se antes de cada entrevista. Sua assessoria sabe como fazer isso;

ü  Nas entrevistas, leve um roteiro das principais questões que você quer abordar;

ü  Não tente explicar tudo numa única entrevista; fique num ponto e explore esse nicho;

ü  Pense antes de dizer cada palavra;

ü  Evite frases arrogantes como “eu não admito....”

ü  Permita-se ser treinado por sua assessoria.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

GARÇON, TRAZ A MAIS GELADA!

Artigo Excelente do Marcos Hiller - Coordenador do MBA em Branding (Gestão da Marca) da Trevisan Escola de Negócios. Blog que vale a pena acompanhar.Clique no título para ter acesso ao texto.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

PALOCCI - MAIS DO MESMO

Atribuir exclusivamente à assessoria de imprensa a redação e divulgação do primeiro comunicado da crise Palocci, que, entre outras besteiras, explicava o valor de mercado de profissionais como ele, é quase inocente. Claro que em toda crise a busca insana é por um culpado. Mas um informe dessa natureza passa geralmente por 200 mãos antes de ir a público. Nenhum assessor cometeria o despautério de soltar uma nota de conteúdo tão explosivo, no olho do furacão, à revelia de seu chefe, cliente ou assessorado. Nem um trainee faria uma coisa dessas. Pior seria um assessor acreditar que aquele conteúdo convenceria algum formador de opinião. Aí sim seria caso para internação.

A condução da crise vai levando a duas possibilidades: a primeira é a saída do Ministro. A segunda é à moda Lula: deixar o assunto se esgotar por si mesmo e resistir até que a próxima crise tome conta do noticiário.

A primeira hipótese fortaleceria a presidente Dilma. A coloca como dona das rédeas e reforça a aura de gerenciamento do governo, em qualquer aspecto. A segunda hipótese a enfraquece, e prova que todo discurso sobre lisura, atitude e energia na condução do governo é só um plano mercadológico bem montado. E que, no fundo, quem continua dando as cartas é o ex-presidente Lula.

Se ficar, Palocci será o eterno refém. O governo sairá com a pecha de admitir todo e qualquer deslize dos seus, e diminui sua moral para cobrar atitudes éticas de sua bancada, abrindo espaço para quaisquer outros fazerem a mesma coisa, inclusive a oposição. Tirar Palocci nesse momento estancaria a sangria e deixaria o tema para outras instâncias resolverem. Talvez seria a chance de fazer o País andar um pouco.

Difícil seria arranjar um ocupante para aquela cadeira, que mais parece uma cabeça de burro: nada alí prospera, conforme mostra a trajetória dos últimos ocupantes.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

GERENCIAMENTO DA CRISE CHAMADA PALOCCI

A equipe de Palocci contratou uma agência para fazer a gestão da crise que caiu sobre a sua cabeça, após vir a público notícia dando conta de um faturamento de R$ 20 milhões de sua empresa de consultoria. Tudo poderia ser absolutamente normal, não ocupasse ele, à época da consultoria, o cargo de deputado federal. Muito embora R$ 20 milhões de faturamento com consultoria seja um número quase assustador, para os padrões brasileiros.

A operação abafa é a primeira crise grave da gestão Dilma. As empresas que pagaram toda essa grana ao ministro também devem estar com suas salas de guerra montadas. Os nomes Amil e WTorre já vazaram como empresas que contrataram o ex-deputado.

A AMIL foi rápida e a nota emitida para a imprensa foi exemplar (para esses casos): rápida, não fugiu da raia e o conteúdo, se não convence, pelo menos é coerente: explica que contratou o deputado como médico, para palestras sobre a gripe H1N1, na época da gripe suína. Quase cômico, mas tudo bem.
Como em todo Comitê de Crise, a tropa de choque foi convocada. Até o ex-ministro Franklin Martins já está no Palácio do Planalto, entre outros não menos estrelados. Como profissional da área, fico imaginando a estratégia que essa turma vai adotar, se é que vão adotar alguma além da mais eficiente: a saída imediata do ministro da Casa Civil.

Há crises e crises. Essa é daquele tipo “batom na cueca”. Fazer o que? Negar que enquanto dava umas escapadas do Plenário, onde era pago com o dinheiro público, aproveitava o tempo vago para uma consultoriazinha básica para a iniciativa privada? Negar que fornecia informações privilegiadas? Pode até ser que não as usasse, mas como provar isto agora?

Evidentemente o ministro precisa mesmo se cercar dos melhores profissionais de comunicação, nesse momento. Mas de antemão é possível vislumbrar que eles pouco terão a contribuir. Nenhuma estratégia é capaz de minimizar um estrago desse tamanho.

Se fosse na iniciativa privada, a questão já estaria resolvida. Vejamos: o que o presidente de uma empresa faria com um diretor pego vendendo segredo industrial? Demitiria o cara, calcularia os prejuízos e os comunicaria aos acionistas, investidores, opinião pública, etc. Caso encerrado. O que Palocci fez foi muito diferente disto? Difícil, muito difícil engolir a pizza com sabor de deputado que faturou R$ 20 milhões em consultoria para a iniciativa privada sem passar nem umazinha informação privilegiada a estas empresas.

Entretanto, esse Comitê de Crise instalado neste momento em Brasília não é de todo perdido, caso a equipe de crise opte por não fritar o ministro e jogar e crise para debaixo do tapete. Servirá ao mesmo como medida profilática às demais Excelências. Sim, porque comprar um apartamento de R$ 6,6 milhões com honorário de consultoria, enquanto ocupa um cargo público é no mínimo excesso de confiança, burrice ou arrogância. Ou todos os atributos juntos.

Se estivéssemos ainda sob a égide do ex-presidente Lula, o caso teria um desfecho previsível. Ele nunca deu importância a questões éticas e fim de papo. Mas sob Dilma Rousseff o Comitê de crise tem que se esmerar um pouco mais, e convencer a presidente de que, se ela quer efetivamente fazer um governo baseado em práticas corporativas eficientes, o melhor a fazer, para o bem dela e do País, é atirar Palocci de cena e impor um tiquinho de moralidade naquela bagunça.

PARA QUE SERVE A SALA DE IMPRENSA NOS EVENTOS?

O trinômio graduação acadêmica, experiência e ética garante o sucesso em qualquer área. A falta de um desses atributos no conjunto da obra acaba gerando conflito, prejuízo (de dinheiro ou imagem da marca) e perda de espaço (ou de clientes).
Esta semana, em um, dentre as centenas de eventos que acontecem diariamente em São Paulo, me envolvi numa experiência única e absolutamente desastrosa. Numa feira setorial, os organizadores proibiram a permanência de assessores de imprensa na.... Sala de Imprensa.

Originalmente, a Sala de Imprensa é um espaço reservado pela organização para promover o encontro de jornalistas e assessores. Uma agência de RP é contratada pela organização da Feira para divulga-la, e uma das funções dessa assessoria é cuidar para que a Sala de Imprensa seja provida das condições necessárias ao bom andamento dos trabalhos dos repórteres e dos assessores, que são, em tese, a representação do expositor (e respectivas marcas) naquele espaço.

Os jornalistas vão em busca de informações para produzirem suas matérias e os assessores lá estão para mostrar as novidades de seus clientes. A montagem é simples: prateleiras para organização dos press-releases de todas as empresas, cadeiras, cafezinho e muita troca de cartões.

A mecânica é tão simples quanto antiga. O assessor aborda os jornalistas com um discurso curto. Se consegue mobilizar a atenção do repórter, consegue também levá-lo ao estande e, na melhor das hipóteses, o cliente é citado na matéria. Caso contrário a conversa para por ali mesmo.

Nesta feira em particular os organizadores proibiram a permanência do assessor na Sala de Imprensa. Em tese, a assessoria da feira se encarregava de encaminhar os jornalistas às melhores pautas. Aí é que mora o perigo. Que critério esse assessor da feira usava, já que não representava nenhuma marca? A maior empresa? O mais inovador? O mais bonitinho? Ou aquele que efetivamente lhe interessava como prospect? Não, caro leitor, certamente ela não usava o critério da isonomia e tampouco da isenção. Isso não existe, assim como Papai Noel.

A coisa piorou quando percebemos que a filha do organizador da feira era a encarregada pela Sala de Imprensa ou comunicação do evento. O que nos deu o direito de imaginar que ela estava ali para prospectar o cliente alheio. Exercia ali um poder paralelo, tolhendo completamente o trabalho de seus pares: os assessores de imprensa dos expositores, das marcas que pagaram para ali exporem seus trabalhos, em todos os canais de comunicação da feira, a sala de imprensa aí incluída. Quando fomos questionar essa prática, a resposta foi um show de horror: o organizador se dirigiu à minha sócia aos berros, com truculência e absoluta falta de respeito – humano e profissional.

A coisa já começou errada: não havia crachá para assessores de imprensa. Se o assessor quisesse, usava crachá de expositor. Sem sala de imprensa e sem identificação, como o repórter os acharia? Afinal, o assessor, nessas ocasiões, é uma peça importante: canta a pauta, viabiliza a fonte, ajuda na produção de fotos e até, em alguns casos, indica fontes concorrentes, para que a pauta seja viabilizada. Num ambiente de Feira, com tantas possibilidades, o assessor é praticamente um guia, e ganha espaço aquele que tiver competência para vender a pauta, se a marca estiver apresentando um fato jornalístico.

Ao cercear o trabalho do assessor, os organizadores da feira prejudicaram a quem eles mais deveriam atender: os expositores, que pagaram (muito) para exibir suas marcas em todos os canais de comunicação disponíveis no evento, e a Sala de Imprensa é um desses canais.

A falta de ética e qualificação, tanto do organizador quanto da assessoria responsável pelo evento, levou todos os expositores a um prejuízo que nunca será tangibilizado. Sobretudo porque a atitude do organizador não foi ilegal, mas é antiética. O organizador colocou o seu interesse – e o de sua família, já que a filha era a responsável pela comunicação do evento – acima do interesse dos expositores e suas marcas. Todos saíram perdendo.

Nota: os nomes foram omitidos, deliberadamente, para que o prejuízo, para todos os envolvidos, seja o menor possível.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Carta aberta à Senhora Valdívia


Senhora Valdívia,

Eu soube hoje que a senhora declarou recentemente que a maioria das mulheres brasileiras não passa de “piranhas” e “marias-chuteiras”. Eu soube também que a senhora é chilena, um país vizinho do Brasil, avançado em várias áreas, em muitas delas até mais que o Brasil. Produz vinhos bem razoáveis, com preços honestos e recentemente mostrou ao mundo uma lição extraordinária de liderança, empenho e esforço conjunto, quando resgatou 33 mineiros praticamente condenados à morte numa mina de ouro.

Imagino que a senhora, como modelo, não tenha tido tempo de estudar muito, a ponto de identificar o tamanho do Brasil, a sua diversidade, cultura e tampouco tenha tido, ainda, condições de conversar com muitas mulheres brasileiras fora do seu mundinho – futebol e moda.

Acredito também que os seus longos cabelos louros tenham provocado uma reação química no seu cérebro, a ponto de extinguir qualquer vestígio de educação e boa conduta. Quase previsível e diante disto, permita-me, vou enumerar, sem qualquer custo, algumas dicas sobre como se comportar num país estranho à sua cidadania, quando em viagem de trabalho (do marido):

1- Quando acompanhar seu marido a algum compromisso profissional fora do seu país, procure se informar sobre a cultura, modo de vida e perfil das pessoas com as quais vai conviver; se considerar os hábitos e costumes muito diferentes dos seus, recolha-se;

2- Evite emitir opiniões que possam interferir na carreira do seu marido (o dinheiro dele deve ser importante na composição do seu orçamento, tudo indica);

3- Matricule-se numa escola de etiqueta social e contrate um consultor de imagem que possa te orientar sobre costumes e atitudes adequadas quando em países estrangeiros;

4- Procure relembrar as lições de educação que a sua família porventura lhe tenha transmitido;

5- Entenda que o trabalho do seu marido é dele e não lhe diz respeito;

6- Entenda também que a imagem institucional de um jogador de futebol é importante para o time e a sua interferência pode prejudicar a percepção do público em relação a ele e ao time;

7- Tente, apesar de suas limitações, arrumar uma atividade profissional, mesmo que não precise do dinheiro. O trabalho geralmente tem o poder de abrir a mente das pessoas, mesmo daquelas menos preparadas intelectualmente;

8- Quando num país estrangeiro, procure ler um jornal local pelo menos uma vez por semana (se isto não deixar seu cérebro exaurido, claro) para conhecer opiniões, cenários e um pouco mais sobre a atividade das pessoas (homens e mulheres) fora do futebol e moda;

9- Procure expandir seus relacionamentos além da sombra dos relacionamentos de seu marido;

10- Faça um esforço e procure entender que o assédio dos fãs aos atletas, artistas de um modo geral é muito comum em qualquer país do mundo;

11- Evite atitudes grosseiras que exponham exageradamente seu nível de educação, cultura e intelectual. Isso pode colocar seu marido numa saia-justa desnecessária;

12- Não nivele o caráter das pessoas ao seu;

13- E, finalmente, procure passar mais tempo no Chile.

Se, como a senhora, eu julgasse pelo que não conheço, diria que a senhora parece uma mulher vulgar, de inteligência limitada e pendurada na fama de outrem. Quem sabe a senhora não seja nada disso?

sexta-feira, 29 de abril de 2011

MARISA ACERTA EM CHEIO NO ANÚNCIO DE OPORTUNIDADE

Ao contrário da Bombril, que botou no ar um conjunto de filmes com ideias antigas e criatividade preguiçosa, a Lojas Marisa arrebentou hoje nos jornais com anúncio de oportunidade de meia página, com mensagem alusiva ao casamento real de Willian e kate.

O anúncio traz uma foto pequena com uma moça vestindo um belo conjunto de lingerie branca. Ao lado, em destaque, um comprovante de entrega, em Londres, da mesma peça para Kate Middlenton, a noiva do ano. O título: "Ela conquistou o solteiro mais cobiçado do mundo. E a gente fez a nossa parte para não deixar ele escapar." Ação simples, divertida, de efeito rápido e ainda coloca a marca muito bem na fita junto ao público-alvo a que se destina. Afinal, que mulher não comprou uma lingerie bacana (ou pelo menos pensou a respeito) pra uma linda noite amor?

A conta é da Fischer-Fala, com criação de Daniela Ribeiro e Diogo Mello.

terça-feira, 26 de abril de 2011

A HORA DO ASSESSOR DE IMPRENSA PEDIR PRA SAIR

Já vi muita gente confundindo assessor de imprensa com advogado. Eu mesma já fui vítima dessa confusão. Tem gente que pensa que os assessores estão alí para defender seus assessorados. Não, eles estão alí para organizar a informação produzida por seus assessorados; orientar sobre o que é notícia e como trabalhar com ela; orientar sobre o comportamento junto a quem trabalha a notícia (jornalistas) e, também, transmitir conceitos éticos sobre esse campo, entre outras tantas e tantas atribuições. A defesa sempre cabe mesmo ao advogado.

Esse preâmbulo é para tentar entender por quê os titulares da pasta de comunicação do senador Roberto Requião ainda não pediram para sair. São profissionais como quaisquer outros, precisam daquele trabalho e é com ele que ganham a vida. Mas quando o exercício da profissão é completa e totalmente tolhido; a ética do patrão inexiste e você não consegue exercer as suas habilidades a ponto de produzir algum resultado prático, então é melhor correr o risco e pedir para sair. Alí, naquele ambiente, nada mais é possível ser feito.

Requião mostrou claramente que não tem qualquer respeito pela atividade de imprensa, não tem disposição de exercer o cargo democraticamente, já que as críticas lhe fazem reagir como um troglodita. Portanto, qual o papel do assessor de imprensa desse senador? Distribuir notinhas que só interessam ao cliente/patrão? Atender ao telefonema dos repórteres e só resolver as pautas que lhe são favoráveis? Desculpe, mas isso não é assessoria de imprensa. Em não sendo, eu acho que eles dariam uma grande lição se pedissem demissão coletiva. É difícil? Claro, eles têm compromissos, contas para pagar, filhos para criar etc, etc, etc.

Então ficamos assim, uns fingem que trabalham, outros fingem que pagam. E a conduta profissional que se lixe. Pobres assessores. Eu não queria estar no lugar deles, porque defender uma pauta importante, cara a cara com qualquer repórter, daqui para frente, vai ficar muito difícil.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A crise do Aécio

Internet é bom, mas dá trabalho. Fui chamada na xinxa por não ter comentado aqui no blog a crise envolvendo Aécio Neves e sua maldita carteira de motorista que se recusou a renovar sozinha. Achei que era óbvio demais, por isso nem me empolguei.

Mas apesar de óbvio desdobramento, o senador insistiu em fincar o pé na jaca, e adotou a decisão que qualquer mortal adotaria, esquecendo que ele é uma Excelência, e como tal deveria ter mais imaginação, melhor assessoria e finalmente, mais cidadania.

Aécio foi pego com batom na cueca. Inexorável e inquestionável, ponto. Se tivesse uma boa assessora, antenada e atuante, e ainda assim tivesse a humildade para ouvi-la, teria assumido o erro imediatamente, pedido desculpas, elogiado a lei, a Polícia do RJ e a Constituição.

Essas medidas, simples, teriam evitado o estrago que o fato provocou à sua imagem de bom moço, e o episódio seria imediatamente revertido. Sem sombra de dúvida ele sairia muito melhor na fita do que entrou.

Sergio Cabral, como era esperado, tripudiou. A mídia, dispensável qualquer comentário. Qualquer “glugada” a respeito promove surtos de riso. Finalmente, quatro dias depois, ele se rende aos fatos e, ainda que timidamente, reconhece o erro e faz um arremedo de pedido de desculpas.
Continuo a me impressionar com a falta de jeito, de tato e às vezes de assessoria desses caras públicos. Se eles têm uma assessoria boa que os orienta, desdenha dela. E sempre se julgam acima do bem e do mal.

O resultado é sempre o mesmo: essa pasmaceira de mesmice. Por isso demorei. Pronto Falei !!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A AREZZO CAPITULOU

A Arezzo capitulou. Mesmo esperneando acerca de sua liberdade sobre a marca; sobre não ser sua a responsabilidade pela proteção aos animais, blábláblá, retirou o produto e a campanha de circulação. Pesou a grita geral, sobretudo nas redes sociais, Twitter e Facebook encabeçando a lista, ferramentas que as empresas, aos poucos, vão aderindo às suas estratégias de comunicação, a maioria ainda muito a contragosto.

Na tentativa de nadar contra a corrente para imprimir vanguardismo, subestimando o peso dos formadores de opinião e, sobretudo das redes sociais, passou quase um dia inteiro tentando justificar o injustificável, para então ceder ao óbvio. O argumento capital do lucro não comoveu.

Uma aposta tão alta provoca a minha curiosidade sobre a real, verdadeira e genuína intenção dos profissionais que criaram e sustentaram a estratégia. Provocar o consumidor? Parecer moderninho? Provar que os movimentos sociais não estão com a bola tão cheia? Provar que a marca é deles e que, portanto fariam dela o que bem entendessem? Mostrar que existe uma parcela de consumidores dispostos a correr o risco? Criar um nicho antipático para uns, mas absolutamente aderente a outros? Ser diferente?

Estar à mesa dessa negociação deve ter sido uma diversão e tanto. Mais divertido ainda deve ter sido o clima na “sala-de-guerra” montada para dissipar o furação que veio a reboque do lançamento. Quão eloquente teria sido o pai da ideia, para que a engrenagem de uma marca forte como Arezzo se mobilizasse em torno de um risco tão grande? Quais foram seus argumentos? De qual cérebro surgiu a brilhante ideia? Do topo da pirâmide? Do marketing? De todos? Houve voz dissonante? Como olharam para ela? como estará essa voz, agora?

Seja qual for a resposta a cada uma das dúvidas que a maioria dos marqueteiros formulou ao longo de todo dia que se seguiu ao lançamento, nenhuma delas foi forte o suficiente para brecar a fúria de ambientalistas, consumidores ultrajados e redes sociais em polvorosa. Poderiam ter dormido sem essa, gastado muito menos e ficado sem essa mancha no portfólio.

terça-feira, 19 de abril de 2011

FALTOU CRIAÇÃO NA CAMPANHA DA BOMBRIL

Vem aparecendo nos últimos dias em redes sociais grupos provocando discussão sobre a nova campanha publicitária da Bombril. Em alguns sites especializados, li que a marca queria renovar, pressupondo certo cansaço do Carlinhos Moreno, há décadas à frente da imagem da empresa. Já tentaram isto uma vez e voltaram atrás.

Pois bem, acho que o tiro saiu pela culatra. Puseram nos filmes comercias mulheres “evoluídas” vestidas de homem, desprezando grosseiramente o gênero masculino, e literalmente os chamando pra briga. Lamentável. Para a Bombril, mulher evoluída tem que se vestir de homem, brigar com eles, chama-los de inúteis e usar de grosserias explícitas.

Ah! Mas é só um comercial, brincadeira, exagera-se nos estereótipos para firmar um conceito. Que conceito, por favor? Imagino eu, do alto de toda minha ignorância, que uma campanha publicitária deva buscar elementos de identificação entre o consumidor e a marca.

Pois bem, que tipo de identificação tem a mulher evoluída com essa campanha? Ao evoluir ela precisa se vestir como homem? Precisa brigar com o homem? Precisa chamar o sexo oposto de inútil? Precisa vestir uma farda e falar grosso para se fazer entender? Mulheres evoluídas, na minha concepção, compõem com seus pares, sejam eles homens ou mulheres; não precisam ir à guerra para se fazer entender.

É difícil competir com Carlinhos Moreno; o que não significa que eu defenda a eternização do personagem. Mas não custava nada pensar um pouquinho mais e conseguir uma peça mais criativa. Contrapor homens e mulheres numa peça publicitária é mais antigo do que dizer “reclame” no lugar de comercial. E equiparar a mulher à pior face masculina, pior ainda. É miopia da criação e do cliente que aprovou.

P.S-1
como eu não achei nenhum elemento de identificação e os produtos de limpeza são praticamente os mesmos nas marcas médias, risquei a Bombril da minha lista de compras.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

CAIO BLINDER PISOU FEIO NO TOMATE.

Encerramos a semana com mais uma pérola da série “se-não-tem-o-que-dizer-melhor-ficar-quieto”, protagonizada pelo jornalista Caio Blinder , no programa Manhattan Connection. Achando que liberdade de imprensa é o direito de sair ofendendo a todos com quem antipatiza, o jornalista chamou de piranha uma realeza da Jordânia.

É a terceira ou quarta vez que uso esse espaço para comentar fatos que mostram quão cuidadoso deve ser um profissional ao emitir opinião quando no exercício da profissão. Ele passa a dividir a responsabilidade desta opinião com o seu empregador. Portanto, foi à GNT, emissora que transmite o programa, que o governo jordaniano reclamou. Quando um sujeito porta um crachá, um cartão de visita ou um microfone, ele fala sempre em nome do logotipo estampado nesses canais.

O último caso semelhante aqui relatado foi a infeliz frase do presidente (brasileiro) da B.King, afirmando publicamente que a comida inglesa era terrível e as mulheres de lá não são atraentes. Recebi uma porção de e-mails a respeito, muitos deles afirmando que ele apenas havia sido franco, falado a verdade. Nesse caso devo lembrar que um executivo, sobretudo do nível dele, devem primar pela ética e etiqueta corporativa. Eles são o espelho das companhias que representam. Portanto, falar a verdade, com ofensa ou agressão a culturas alheias é absolutamente dispensável.

Outro e-mail sobre o B.King dava conta de que o fato não seria suficiente para manchar a imagem do executivo. A este eu remeto o caso da Vale (mineradora). Quando ainda se especulava sobre o nome que iria ocupar o lugar de Roger Agnelli, uma das fortes alternativas era um profissional com extrema habilidade para lidar com situações críticas, segundo palavras de um caçador de talentos bem famoso e influente, publicada no jornal. Mas Caio Blinder ultrapassou todos os limites. Foi grosseiro, mal educado, machista, prepotente e arrogante.

Chamar uma mulher de piranha no ar é de extremo mau gosto. Quando essa mulher é representante de um país, é pior ainda: é falta de respeito e desconsideração à cidadania Talvez ele o faça com frequência em casa, entre seus familiares e amigos, dada a facilidade com que articulou a expressão, mas em público, escondido atrás de uma emissora de televisão, sem dar à vítima da agressão o direito de defesa, foi também um ato covarde. Assédio moral, pura e simplesmente. Já risquei esse programa da minha grade de preferência. Isso não fará a menor diferença ao Caio e à emissora, eu sei. Mas fará para o meu próprio bem estar.

P.S.1 - O caldo sempre engrossa quando as pessoas começam a se atribuir muito mais importância do que realmente têm, e perdem a noção do espaço que ocupam. Semana passada a atriz Carolina Dickmann declarou que seus filhos não assistem TV aberta. Em seguida levou um esbrega, pelo twitter, do autor de novelas Walcyr Carrasco. Ora, segundo ele, deve ser muito triste trabalhar num veículo que nem ela suporta, mas que lhe deu projeção e notoriedade para futurar alto com publicidade. Resumo da ópera: ela passou a semana se explicando. De novo: A internet nos impõe pensar, muito, antes de dizer qualquer coisa. Assessores, olho vivo no discurso do cliente.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

JORNALISTA PODE SER UM BOM RP?

Hoje, no twitter, Caio Tulio Costa, jornalista competente, consultor de mídia digital, professor e sócio de agência, disponibiliza um artigo bacana, sobre a questão do jornalista que vira Relações Públicas. E pergunta: jornalistas podem ser bons RP’s?

No artigo (clique no título para acessá-lo), o autor lista uma serie de vantagens, entre elas o fato de que o jornalista sabe escrever (release ruim nem é lido) e, principalmente, sabe identificar o que é ou não é uma notícia (o cliente tem distorções homéricas).

Concordo com todos os pontos defendidos pelo autor, e acrescentaria mais um, que considero fundamental, e determina o perfil do profissional: ter ou não vergonha de desempenhar as funções de RP.

Por mais incrível e esdrúxulo que possa parecer, isso existe sim. Já vi profissionais assinando contrato com um cliente e, por constrangimento, colocam um “laranja” na linha de frente do atendimento mais crítico. Vi isso em alguns casos de gestão de crise, por exemplo, onde a fonte/cliente não era exatamente um “darling” no mercado.

Alguns jornalistas, sobretudo aqueles que já passaram por grandes redações, têm uma tendência nefasta de achar que são melhores que outros profissionais de comunicação. Isso é até mais forte quando são egressos deste ou daquele veículo.

Ser jornalista e desempenhar funções de RP não é para qualquer um, é fato comprovado. A sensibilidade é o primeiro atributo necessário para o desempenho satisfatório. Despojar-se de preconceitos é o segundo e, finalmente, ter a consciência de que assessoria de imprensa, pura e simplesmente, já era, acabou.

Se o sujeito não tiver conhecimento de toda cadeia de comunicação, vai passar a vida enxugando gelo. Passa um release hoje, amanhã tem que ter outro. Em nome disto, algumas agências até já remuneram o profissional por volume de clipping. Eu continuo privilegiando a qualidade. E a toda cadeia entende-se olhar dentro e o entorno do cliente/empresa/fonte e descobrir um posicionamento. E se ele, o jornalista/RP tiver constrangimento/preconceito nesse olhar, ou não tem habilidade técnica, ou é incompetente. Ou ambos. Pode ser também um frustrado, que adoraria estar ainda na redação, mas não aguenta o tranco dos horários, viagens e salário menor.

Isso explica porque muitas empresas ainda relutam na contratação da comunicação. A enganação ainda é muito praticada no mercado brasileiro: ora por desconhecimento da fonte, ora por má fé do profissional de comunicação. Lamento.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Netinho e Pernambucanas: tiro no pé

Dois fatos muito sérios nos convidam a repensar a forma e conteúdo da comunicação em empresas e instituições de qualquer natureza.

O primeiro é a venda de sutiãs com bojo (enchimento de espuma que imita volume dos seios) nas lojas Pernambucanas, com personagens licenciados pela Disney, para meninas de seis anos de idade. A notícia foi publicada ontem, na Folha de São Paulo, por Monica Bergamo. As empresas não se pronunciaram.

O segundo é a criação da Comissão Municipal de Defesa da Mulher, proposta pelo vereador Netinho de Paula (que, entre outras coisas, foi acusado em 2005 de espancar a própria mulher e depois de agredir uma Comissária de Cia Aérea).

Mas o que tudo isso tem a ver com comunicação? Tudo. Quando uma empresa tem um departamento de comunicação organizado e competente alinha a comunicação às estratégias da empresa, que por sua vez, recomenda-se, estejam alinhadas à cultura e valores vigentes. É para isto, também, que se mantém um departamento de comunicação ou consultorias.

Foi extraordinário assistir às manifestações imediatas sobre os dois casos, nas redes sociais, sobretudo no Twitter. A marca Pernambucanas foi pisoteada, arrasada, jogada na lama. O episódio remeteu imediatamente a uma crise anterior, onde a Rede foi acusada de usar trabalho escravo (mão-de-obra boliviana) na confecção de roupas para as lojas.

O caso Netinho é praticamente uma piada pronta. No Twitter, internautas se encarregaram de lembrar todas as confusões nas quais o vereador se meteu nessa área. Aqui, me parece mais um caso de extrema ingenuidade: é evidente que as pesquisas apontam que sua imagem foi duramente atingida depois que foi acusado de agressão pela ex-mulher. Portanto, seria lógico apoiar uma causa dessa natureza, visando “neutralizar” a baixaria. Ele apenas se esqueceu de que o eleitor está mais maduro, mais informado e não se deixa levar pelo canto da sereia, em que pese o contingente enorme de pessoas que ainda vota nele.

No caso da Pernambucanas fica a impressão de negligência e intenção de lucro a qualquer preço, já que a empresa não respondeu aos jornalistas; não veio a público explicar seu posicionamento (se é que ela tem algum). Vale lembrar que circulou informação de que os sutiãs com bojo para meninas de seis anos foram recusados nos mercados europeus e americanos, portanto, vale perguntar, e perguntar não ofende, cadê o marketing da empresa?

No caso Netinho, fica a impressão de que, se ele tem uma assessoria, não dá muita bola a ela. Porque é impossível que alguém com dois ou mais neurônios, não o tenha alertado que a iniciativa de criar uma Comissão de Direito da Mulher seria, no mínimo, um tiro no pé.

Como se vê, as duas crises poderiam perfeitamente ter sido evitadas, se aspectos importantes da cultura, valores e visões sociais fossem considerados. Nenhum dos dois ouviu ou foi informado por gente competente sobre as consequências de atos impensados. Quem paga é a marca.

quinta-feira, 31 de março de 2011

UM VEXAME (PREVISÍVEL) DESNECESSÁRIO (clique no título para assistir trechos da entrevista)

Deprimente é o adjetivo mais próximo para a definição da entrevista coletiva concedida pelo jogador Adriano, durante o ato que oficializou para a torcida o seu ingresso no Corinthians.

É importante lembrar aqui, também, que assessor de imprensa não se presta apenas para distribuir release. Ele precisa, antes de tudo, orientar seu cliente sobre a melhor forma de se portar diante de um evento como este. Culpar a imprensa pelos danos à sua imagem é, no mínimo, risível. Desastroso e deprimente, sobretudo nas palavras de um atleta com perfil comportamental tão complicado.

Ele deveria ter sido preparado, deveria ter sido treinado, submetendo-se a simulações, que têm a função de conferir mais serenidade e segurança às respostas; deixar a fonte (no caso, o jogador)mais tranquila em relação às respostas e fortalecendo a chance de um clima cordial entre as partes interessadas (imprensa x jogador). O que se viu, depois de uma pergunta mais maliciosa, própria dos repórteres em pleno exercício da profissão, foi uma resposta beligerante, com ranço de mágoa e deixando escancarada a verdadeira face do jogador. Ponto para a reportada.

Ronaldo Fenômeno sabe muito sobre isso e deveria ter alertado seu novo pupilo, exigido que sua equipe o preparasse ou então, na dúvida, poderiam ter evitado (mais) esta saia justa contra o curriculo do jogador. Jogar um atleta nas condições do Adriano numa coletiva dessa natureza sem a menor segurança é correr um risco absolutamente desnecessário. É muito amadorismo reclamar da imprensa em plena entrevista coletiva.

Tão despreparado, desinformado e desamparado ficou com a pergunta que, ao fim da resposta chegou a dizer que sabe que notícia boa não vende, porque ninguém publicou foto sua num passeio pelo shopping com os filhos.

Ora, ora, ora....Assessoria, helloooo!!!! Tem que explicar ao moço os princípios básicos do jornalismo, da notícia e sobretudo como funciona essa engrenagem. A ele cabe ter disciplina: sentar, ouvir, se comprometer... blábláblá....

Para coroar a situação, a resposta atravessada de Adriano foi a deixa que um torcedor mais animadinho precisou para desfiar outra frase infeliz contra um repórter, que estava alí apenas cumprindo uma obrigação profissional. Ninguém precisava daquilo. A imaturidade de toda ação -- permeada por manifestações de truculência da turma da segurança -- fechou com chave de ouro um evento que tinha tudo para dar errado, e deu mesmo.

Errou o time, o patrocinador, o mentor e acima de tudo o pobre coitado do jogador, jogado às garras dos leões, ao que parece, sem a menor condição.

P.S.(03-04-2011): Se Ronaldo tem mesmo algum interesse no Adriano, deveria colocar sua equipe em campo e começar um intenso media-training com o atleta, incluindo conversas com a família. Agora foi vez da mãe do jogador, que entrou em campo para descer o cacete na imprensa, como se fosse dela a culpa pela situação do atleta. Adriano está apenas colhendo o que plantou; à impensa cabe relatar o desempenho da safra. Caso contrário, vale concluir que Adriano está no time apenas e tão somente para gerar fatos e espaço editorial. Esgotado esse resurso, provavelmente o jogarão na sarjeta.

quarta-feira, 30 de março de 2011

ATÉ A COMUNICAÇÃO TEM LIMITE (E PRECISA DE ÉTICA)

Na era das redes sociais, onde tudo pode virar público e grande parte das pessoas que lá estão tende a se sentir uma celebridade – tem gente publicando a hora que acorda, o cardápio do almoço, a agenda do dia e até o trajeto percorrido – as revistas qualificadas como “de celebridades” têm tido que rebolar para gerar o furo nosso de cada dia; as celebridades idem, em busca do espaço que lhes cabe.

Não deve ser fácil conquistar o espaço tão desejado nas páginas de tais publicações, dado o volume dramático da concorrência. Nos três primeiros meses, então, a coisa complica, porque os BBB’s, suas famílias e amigos entram nesse tipo de publicação às toneladas.

Fico imaginando como deve ser a vida dos assessores de imprensa desse público: fazer um release – e distribuí-lo – na tentativa de transformar em noticia uma ida ao shopping deve ser de doer na alma.

A superação de todas as expectativas nessa área caiu em cheio no colo da revista Caras neste fim de semana, quando uma atriz, antes de por fim à própria vida, enviou uma carta à redação, explicando seus motivos.

Tecnicamente era um release. Talvez ela não tivesse assessoria de imprensa ou o assessor estivesse dormindo àquela hora, e então resolveu botar a mão na massa e dar conta do serviço.

Já vi de um tudo nessa área: ex-marido de atriz ligando para redação avisando que está chegando ao aeroporto com a nova namorada; executivo pedindo para assessor avisar a imprensa que ele vai almoçar em tal restaurante, a tal hora, com tal companhia, e por aí vai. Agora, avisar uma publicação que vai cometer suicídio, explicando os motivos, eu nunca tinha visto.

Como era previsível, a revista carregou nas tintas e o mais prejudicado (o ex-marido da atriz) resolveu tomar providência e exigir que o incluíssem fora dessa. Evidentemente foi acusado de censor. Tentando um papel de vítima, a revista se colocou na condição de censurada e clama pela liberdade de imprensa.

Uma pessoa aparentemente perturbada querer fazer do próprio suicídio um grande acontecimento mundial é, até certo ponto, compreensível. Um veículo comprar a ideia e ainda se colocar no papel de vítima é, no mínimo, o máximo do mau gosto. Faltou ética da revista e bom senso dos editores.

segunda-feira, 21 de março de 2011

HIDRELÉTRICA DE JIRAU – FALTOU GESTÃO DE RH E COMUNICAÇÃO

Os conflitos que estamos assistindo entre empresa x empregados na construção da hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira (RO), nos mandam lições importantes sobre gestão de RH e Comunicação Interna. Embora a distância que separa a obra dos centros de decisão seja determinante para certas distorções, as informações que nos chegam passam impressões pré-históricas. Nessa guerra de informação, estão ganhando os empregados, que têm à disposição as imagens em tempo real das condições a que foram reduzidos.

Diante de tudo que li a respeito – e não foi pouco, tanto em volume quanto em variedade de fontes – a impressão mais forte é de que, apesar da magnitude da obra e da importância das empresas envolvidas, o público interno não foi contemplado com a devida importância, no contexto dos stakeholders (qualquer pessoa ou organização que tenha interesse, ou seja afetado pelo projeto).

A magnitude da obra, a distância entre ela o centro de poder e decisão provavelmente motivaram a terceirização da gestão dos operários, desde seu ingresso na estrutura até a implantação (ou não), de políticas de Recursos Humanos e Comunicação específicos e sob medida para aquele contexto.
Como por exemplo, a obra ainda pratica a contratação de operários por meio de “gatos”, uma prática dos anos 60 e 70, baseada numa figura pouco confiável que vai buscar nos rincões do país, com promessas vãs e muita sacanagem, pessoas para o serviço pesado na construção civil.

Mas esse não é foco desse artigo. O foco é como as empresas ainda pensam e tratam o público interno em relação aos demais stakeholders que envolvem suas atividades fim. A maioria ainda dedica a maior fatia da verba de comunicação às campanhas de vendas (dirigidas aos clientes), sem considerar uma plataforma de comunicação que contemple outros stakeholders, como o público interno, por exemplo. Pior ainda são aquelas que, por comodismo ou falta de conhecimento, ainda atrelam a Comunicação Interna ao RH.

No mapeamento de stakeholders, o público interno deve estar no topo da pirâmide, pelo bem da imagem da empresa e o bom andamento da operação – caminho mais rápido para se ter um bom produto. O que mais se vê é, quando muito, um jornalzinho interno fazendo odes à empresa, com destaque para aniversários do mês.

Na prática, o que ocorre é que, quando um empregado acorda e se dirige ao trabalho, já está tomando atitudes que beneficiam ou denigrem a imagem da empresa: no café-da-manhã, na conversa no ônibus, nos primeiros encontros com os colegas.

Foi-se o tempo em que pagar um salário e benefícios era garantia de um ambiente corporativo saudável. O empregado hoje quer se ver na foto, participar o quanto possível do processo decisório e, sobretudo, ter condições de trabalho cada vez mais dignas (transparência no processo admissional e demissional, conforto, treinamento, e informação). Isso tudo demanda método e organização das informações, que devem ser materialmente disponibilizadas.

Portanto, às boas práticas de RH, devem-se aliar as práticas de Comunicação Interna, que cumprem o papel de levar informação da empresa ao empregado: direitos e deveres, treinamento, qualidade de vida, gestão, e desenvolvimento pessoal, de forma clara, acessível a todos e transparente.

A Comunicação Interna vai identificar a melhor plataforma que fale direta e claramente ao público de interesse e, do lado contrário, vai identificar, precocemente, as principais demandas desse público no que concerne à informação.

Quando a Comunicação Interna e Recursos Humanos se unem em torno de uma causa – o bem estar do empregado e da Organização – o resultado é incontestável: promove fidelidade, atrai talentos, diminui a rádio peão, e mantém um clima organizacional saudável. Desconsiderar ou economizar nesse aspecto do projeto traduz-se em total miopia empresarial, colocando em jogo todo investimento, fato que efetivamente está ocorrendo no rio Madeira.

sexta-feira, 18 de março de 2011

PERDEU iPOD DEPOIS ACHOU. UMA HISTÓRIA PRA BOI DORMIR

Pelo site do UOL recebo a notícia de que uma publicitária (nada mais adequado a uma matéria como esta)perdeu seu iPod e, depois de uma lambança conseguiu encontrá-lo por meio de um aplicativo (uma histórinha da qual qualquer pessoa com um mínimo de bom senso duvidaria).

A matéria contém tanta incoerência que é difícil acreditar que o fato, de fato, aconteceu. Primeiro a sujeita mobilizou uma guarnição de não sei quantos policiais que correram mundo, com a vítima (???) dentro da viatura, para capturar o aparelho perdido. Na boa, a Polícia não tem ocorrências mais graves, em vez de sair atrás de um aparelho perdido (não roubado)?

A vítima (???, de novo) declarou já ter perdido sete outros aparelhos e por isso fez tanto esforço. A Polícia da cidade saiu atrás de um aparelho perdido, cuja dona já perdeu outros sete???? (minha avó dizia que sete é número de mentiroso).

Prefiro acreditar que é uma mentirinha e que a Polícia da 30ª Delegacia não saiu atrás de um aparelho perdido, e não roubado, caso contrário, vou ficar muito aborrecida pela forma como eles estão gastando o meu, o seu, o nosso rico dinheirinho.

Outra coisa que chama atenção: a foto da moçoila, que ilustra a matéria. Parece um anúncio do produto, desculpe. Se for, o UOL compactou com uma barbaridade dessa? Se não foi, o repórter checou todos os buracos da matéria? O banco, a Delegacia de Polícia, entrevistou policiais? Se ainda assim fez tudo isso, o editor que pautou aquela foto não sentiu qualquer semelhança com um anúncio?

Se foi apenas uma ação mercadológica para divulgar o aplicativo do produto, parabéns à agência que criou essa aberração. Se o UOL compactou com essa ação, aí sim, a coisa fica muito mais feia. Misturar espaço editorial, coim jeito de editorial e no lugar de editorial com uma ação subliminar pra divulgar um produto é o fim dos tempos. Desculpe, mas vou achar que todas as notícias do UOL, FSP terão uma intenção subliminar, alheia ao compromisso de apenas "informar" seu leitor.

Se não compactou, mas engoliu a historinha porque a pauta é moderninha, vou repensar a minha assinatura.

O fato é que, cada vez mais, as empresas, através de seus comunicólogos, estão buscando formatos diferenciados para expor a qualidade de seus produtos. Acho legítimo. Daí a toda uma cadeia de profissdionais serem envolvidos ou cairem de maduro numa história tão inconsistente, é preocupante. O leitor foi tratado como bobo, no mínimo.

Se de fato trata-se de uma ação mercadológica para divulgar o aplicativo, a Apple assinou embaixo de uma atitude tão rasteira? Ok, ok.... as empresas precisam verder blá, blá, blá...Agora, se tudo aquilo for verdade, definitivamente o jornalismo já era.

segunda-feira, 14 de março de 2011

ESCORREGÃO (FEIO) DO PRESIDENTE DA BURGER KING

Semana passada finalizei dois manuais, para empresas diferentes, sobre “Gestão de Crise”. Em ambos incluí um pequeno glossário contendo atitudes absoluta e totalmente proibidas para executivos, empresários, funcionários ou qualquer indivíduo que pertença a uma organização.

Agora estou com vontade de oferecê-lo, por um precinho bem camarada, ao presidente mundial da cadeia de lanchonetes Burger King, o brasileiro Bernardo Hees. Sem qualquer sutiliza, ele fez comentários depreciativos sobre as mulheres e a comida britânicas em uma palestra para estudantes nos Estados Unidos.

''A comida é terrível e as mulheres não são muito atraentes. Aqui em Chicago, a comida é boa e vocês são conhecidos por suas mulheres bonitas'', afirmou, sobre a época em que fez seu MBA na britânica Warwick University. A notícia está no portal IG.

Ele não é o primeiro, e infelizmente não será o último, executivo a cair na tentação da vaidade (ou arrogância?) quando tem a posse de um microfone e uma plateia na frente.

É uma pena que algumas pessoas ainda percam completamente a noção de ética, cidadania e respeito quando alcançam postos de visibilidade. Claro que isso acontece também em outros setores, como na política (o grande mestre dessa matéria foi o ex-presidente Lula).

Hees não manchou apenas a sua reputação; carregou ladeira abaixo o nome da empresa que preside, a Burger King, já que na condição de presidente, a Companhia é aposto inevitável em qualquer citação de seu nome.

Comentei nesse espaço várias vezes exemplos como esse. A vaidade, excesso de segurança, uma pitada de arrogância e falta de respeito são ingredientes perfeitos para um escorregão dessa magnitude. Curiosamente, as pessoas que usam tal expediente, apesar da posição que ocupam, não levam em consideração que aquele microfone e a plateia não estão à sua disposição pessoal – pessoa física. Ao contrário, só estão ali porque representam uma organização de sucesso.

Em que pese todo mérito que o executivo possa ter tido até aqui como presidente da Burger King, essa mácula já aderiu ao seu DNA corporativo, e vai acompanha-lo para o resto da vida e muito provavelmente vai contar pontos (negativos, evidentemente) em oportunidades que poderiam leva-lo ainda mais longe. Azar o dele.

quarta-feira, 2 de março de 2011

MAIS UM CAPÍTULO DE "JOGANDO DINHEIRO FORA"

Chega a ser estarrecedor como alguns profissionais de comunicação, marketing ou propaganda empregam a verba de seus clientes ou do próprio patrão. Não se sabe se eles cumprem uma estratégia estabelecida no planejamento (e em alguns casos fica difícil perceber se realmente o fizeram); se estão a serviço de sua própria vaidade ou se, na falta de competência, colocam na roda uma ação midiática de efeito rápido e assim vão conseguindo se manter no cargo ou com o cliente na carteira, evidentemente enganando cliente ou o próprio patrão e no fim da cadeia, é óbvio, o consumidor final.

Ontem a Schincariol anunciou a cantora Sandy para representar a marca de cerveja Devassa. Não existe a menor sombra de dúvida que, primeiro, ainda não encontraram uma identidade para o produto (isso fica claro na matéria que Estadão traz a respeito, hoje); segundo, que a contratação faz parte do “plano carnaval” para inserir a marca nos editoriais e redes sociais, avisando que ela ainda está viva (a cerveja, claro). Muito esforço (leia-se $) para resultado tão pequeno (o carnaval acaba semana que vem).

Nessa linha a LG nos conta, hoje, via jornais, que contratou o ex-presidente Lula por R$ 200 mil para uma palestra, cujo objetivo é “animar os vendedores e trabalhar autoestima”. Se um profissional sério, competente e bem intencionado for a esta empresa e cobrar R$ 20 mil por um bom programa de comunicação interna que terá efeito residual de pelo menos um ano vão dizer que é caro. Ou então um valor semelhante por um curso que efetivamente contribua para o crescimento profissional desse público, a longo prazo, a resposta será a mesma.

Desserviço: subestimam o público-alvo e não lhe fornece a ferramenta mais adequada ao desempenho de suas funções. É dura a vida!

P.S. Daqui a pouco vai chegar aqui um gaiato dizendo que a empresa investe xyz em treinamento e satisfação de seus funcionários blá, blá, blá. Ok, tá sobrando? Aumenta o salário da galera. O que não dá é pra continuar jogando dinheiro fora e achar que está fazendo comunicação. Me poupe.

P.S.(03 de março) A LG pagou R$ 200 mil ao ex-presidente Lula, a título de "palestra de motivação". Durante 40 minutos, os convidados ouviram um balanço da era Lula e suas realizações. Usaram o tempo e a paciência dos funcionários para atrair a atenção da mídia. O objetivo não era exatamente promover um benefício para os funcionários.